Trump declara guerra económica à Europa — e quer que aplaudamos
Donald Trump voltou. E voltou com tarifas na mão.
Desta vez, o alvo é claro: a Europa. Não por práticas desleais, não por dumping, não por violação de regras internacionais. Mas porque ousou discordar. Porque não se alinhou. Porque não obedeceu.
Trump chama-lhe “defesa da economia americana”. Na prática, é chantagem económica pura e simples.
Tarifas não são política. São punição.
Taxar produtos europeus não é negociar.
Não é corrigir desequilíbrios.
Não é proteger trabalhadores.
É punir aliados para provar poder.
Trump mistura comércio com geopolitica como quem mistura gasolina com fósforos. Groenlândia hoje, defesa amanhã, NATO depois. Quem não segue Washington, paga.
Literalmente.
Portugal paga sem ter votado
Alguém perguntou aos produtores de vinho do Douro se queriam entrar numa guerra comercial?
Alguém avisou as fábricas de componentes automóveis em Palmela?
Alguém consultou quem exporta cortiça, papel, azeite?
Claro que não.
Trump taxa a “Europa” — mas quem sofre são empresas reais, empregos reais, pessoas reais.
Pequenos produtores perdem mercado.
Indústrias perdem encomendas.
Trabalhadores perdem segurança.
Tudo para alimentar um discurso eleitoral do outro lado do Atlântico.
A mentira da ‘reciprocidade’
Trump repete o mantra: “a Europa taxa mais os EUA”.
É falso. Simplesmente falso.
A UE aplica tarifas médias baixas, muitas vezes inferiores às americanas quando se olha para o comércio real, não para slogans. Mas factos nunca foram um problema para Trump.
O objetivo não é justiça.
É domínio.
E os americanos? Também perdem.
Aqui está a parte que Trump não conta:
- Produtos europeus ficam mais caros nos EUA
- Empresas americanas pagam mais por componentes
- Consumidores pagam a conta
Tarifas são impostos escondidos.
E impostos escondidos são sempre pagos por quem tem menos poder.
A Europa hesita. E isso é perigoso.
Bruxelas fala em “diálogo”.
Trump responde com percentagens.
Cada semana de hesitação é uma vitória para quem acredita que gritar mais alto é o mesmo que ter razão. Se a Europa normalizar este abuso, amanhã qualquer disputa política vira uma taxa alfandegária.
Hoje é Trump. Amanhã pode ser outro.
Isto não é comércio. É intimidação.
Não há nada de normal em usar tarifas para forçar decisões soberanas.
Não há nada de legítimo em punir aliados como inimigos.
Não há nada de inteligente numa guerra económica sem vencedores.
A Europa não pode continuar a fingir que isto é apenas “mais um episódio”.
Não é.
É um aviso.
Conclusão: ou a Europa reage, ou ajoelha
Portugal depende de exportações.
A Europa depende de regras.
E regras só existem se forem defendidas.
Aceitar as tarifas de Trump é aceitar um mundo onde o mais forte decide quem pode vender, quanto e a que preço.
E isso não é livre mercado.
É bullying económico.

