If you could un-invent something, what would it be?

Se eu pudesse apagar uma invenção da história, seria o currículo profissional.

Um documento que finge resumir uma vida em duas páginas, como se pessoas fossem versões beta de si mesmas, avaliadas por listas, datas e verbos no infinitivo. “Liderou”, “otimizou”, “implementou” — ninguém vive assim, mas todos precisam fingir.

O currículo não mostra curiosidade, nem fracassos decisivos, nem aquela habilidade estranha que nunca deu dinheiro, mas salvou alguém. Ele transforma gente em produto e chama isso de mérito.

Ele não pergunta quem você é, pergunta o que pode ser extraído de você. E o mais perverso: aprendemos a nos descrever como máquinas eficientes, com medo de parecer humanos demais.

Sem o currículo, talvez contratar fosse mais difícil. Ou talvez fosse mais honesto. Conversas reais, histórias reais, riscos reais. Menos encaixe perfeito. Mais encontro.

Algumas invenções não organizam o mundo.
Elas apenas ensinam pessoas a se venderem mal.


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